sexta-feira, 3 de julho de 2009

Meditação e Criatividade




Por Mariah Bressani

O processo de sociabilização no impinge um padrão de como pensar, como sentir e como nos comportar, que acatamos como "o certo". Tomamos a orientação deste padrão como verdade absoluta e, deste modo, estabelecemos nossas crenças.
Para assim o fazermos, precisamos ignorar parte de nosso Eu real, tornando-se possível adequar-nos ao estabelecido. Constituímos, então, um Ego.
Portanto, ao formatar um Ego, enquadramo-nos ao contexto social já estabelecido. Passamos a ter determinadas opiniões e, consequentemente, a nos sentir de certa maneira em relação a nós mesmos, aos outros e às situações que vivemos. Porém, para tanto, precisamos minimizar nossa espontaneidade e criatividade.

A prática da meditação ajuda-nos a conhecer-nos, quem somos verdadeiramente. Aprendemos a distinguir nosso Ego do nosso Eu verdadeiro, que Jung chamou de Self.
E, assim, compreendemos que muitas de nossas opiniões, sentimentos e comportamentos são frutos de nossa sociabilização, ou seja, são frutos daquilo que aprendemos a considerar socialmente como válido e correto, ou seja, "o certo", fazendo a manutenção do status quo vigente do qual fazemos parte.

Com a meditação e com o mergulho em nosso interior, aprendemos a valorar nosso Eu Verdadeiro e a nos libertar das amarras limitantes de nossa sociabilização.
No exercício da meditação acessamos aquilo que trazemos inato dentro de nós: a Fonte da Vida. Lá onde está o nosso "pote de ouro", a nossa criatividade e a nossa espontaneidade.

Assim, com a prática da meditação, pouco a pouco, vamos, então, nos permitindo dar vazão para nossa criatividade e espontaneidade.
E, conforme vamos aplicando a nossa criatividade inata na nossa própria vida, vamos, deste modo, cada vez mais, nos tornando mais naturais e livres.
E, como seres complexos que somos, num verdadeiro paradoxo, quanto mais livres nos sentimos, mais irmanados ficamos com os outros seres humanos!

Eis onde conseguimos chegar com o desenvolvimento da nossa consciência e da nossa criatividade através da prática contínua da meditação: Tudo o que fazemos conosco e para a nossa vida, repercute naturalmente para todos à nossa volta e mais além.


imagem: freepik


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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Meditação e Discernimento





Por Mariah Bressani

Você sabe o que melhor para você?
Você sabe aquilo que realmente lhe dá satisfação?
Você sabe por que você reage como reage?
Você sabe por que você se sente confortável ou desconfortável em uma dada situação?
Para responder a estas perguntas e às outras do mesmo quilate, precisamos de discernimento.

Discernir significa perceber e discriminar as diferenças e as semelhanças, colocando-as numa “balança”, tendo como fiel, os seus valores e paradigmas... e, por fim, compreendê-las.
Em termos éticos, significa distinguir o bom do mau, que aplicado pessoalmente é saber distinguir o que lhe faz bem do que lhe faz mal.

Quando sei porquê eu me sinto confortável ou desconfortável numa dada situação, significa que eu sei porquê eu me sinto, ou não, confortável numa situação. E, assim, digo “sim” para a primeira opção, porque sei o que me faz bem e “não”, para a segunda, porque sei o que me faz mal.
Quando compreendo porquê eu reajo como reajo – se positivamente, é porque sei que aquilo me faz bem, se o contrário, negativamente, é porque sei que me faz mal.
Quando eu sei o quê realmente me dá satisfação, sei distinguir aquilo que me faz bem do que me faz mal e, é óbvio, eu escolho o primeiro.
Por fim, o melhor para mim sempre será o que me faz bem. E, como eu me baseio em princípios éticos, aquilo que me faz bem também o fará para os outros que me rodeiam.
Sendo assim, podemos concluir que discernimento é um instrumento valiosíssimo para o nosso bem viver.

E a meditação é o exercício que nos permite desenvolver o discernimento. Porque a sua prática nos permite que nos voltemos para nós mesmos, e, assim, vamos nos “descobrindo”.
Vamos, pouco a pouco, nos aprofundando em nós mesmos.
Vamos, pouco a pouco, conhecendo-nos, a quem somos verdadeiramente.
E, então, vamos compreendendo-nos, em nossas opiniões e no que sentimos, ou seja, compreendemos os nossos pensamentos e os nossos sentimentos.
Assim, aprendemos a discernir a nossa maneira de nos relacionar conosco mesmos; a nossa maneira de nos relacionar com tudo e com todos que nos rodeia; e o que gera as nossas reações. Vamos, pouco a pouco, compreendendo os nossos porquês.

Com a prática da meditação, vamos, enfim, aprendendo a distinguir o nosso Eu verdadeiro do nosso Eu (mais conhecido por Ego) forjado pela sociabilização.
Aprendemos, principalmente, que tudo é relativo.


imagem: pixabay

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quinta-feira, 13 de março de 2008

Meditação e Paciência





Por Mariah Bressani

A paciência é o nosso unguento que cura as nossas feridas, como por exemplo, as nossas frustrações, as nossas ansiedades e os nossos medos.
A paciência é o nosso antídoto para prevenir as noites mal dormidas provocadas por preocupações, além de prevenir também os acessos de mal humor.
Paciência, santo remédio que nos falta nos momentos mais necessários!

Todos os dias – em alguma situação do dia – ela se faz necessária. Portanto, precisamos cultivá-la, pacientemente.
Entretanto, somos treinados a nos voltar para fora e, assim, reagirmos prontamente à qualquer estímulo externo.

Quando um estímulo desperta em nós alegria, nós ficamos alegres,... sorrimos... festejamos... Porém, quando um outro estímulo nos contraria de alguma forma, nós ficamos tristes ou raivosos... para dizer o mínimo e então, podemos ficar amuados, decepcionados, magoados ou raivosos... e por ai vai todas as possibilidades de reações emocionais...

Com a meditação – no sagrado exercício da introspecção –, para começar, desenvolvemos a santa paciência conosco mesmos; num primeiro momento, ao aceitar as nossas dificuldades em relaxar e de nos desligar do nosso cotidiano.
Desenvolvemos a santa paciência, quando a nossa mente não pára de pensar, e mesmo assim nos mantemos ali, quietos, procurando relaxar e nos “desligar” das requisições externas.

Percebemos que conseguimos desenvolver um pouquinho da santa paciência quando, em nosso dia-a-dia, a própria se nos apresenta e nos ajuda a não reagir tão rapidamente às situações que vivemos e com as pessoas com quem nos relacionamos.

O aprendizado da paciência começa, primeiramente, com a respiração, nos organizando internamente, compreendendo o que aquela situação nos suscitou e, então, depois, reagimos, melhor dizendo, agimos, – se necessário –, aí, sim, com o coração mais calmo e a cabeça mais fria.
E, assim, com o exercício da paciência aprendemos também sobre o exercício da assertividade.


imagem: pexels

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Meditação e Disciplina





Por Mariah Bressani

Disciplina é a arte de fazer bem o que tem que ser feito.
Em nosso mundo ocidental o conceito de disciplina é entendido pejorativa e negativamente.
Entendemos, de um modo geral, a disciplina como a submissão às regras sob ordens alheias. Por isso, as pessoas de natureza mais rebelde abominam esta palavra.
Assim, podemos entender porque os ocidentais são tão pouco disciplinados, enquanto que os orientais são mais afeitos à viver disciplinadamente.

Enquanto que os orientais compreendem melhor do que nós, ocidentais, este conceito, pois eles o entendem como a capacidade de suportar pequenas frustrações imediatas em prol de algo maior que almejam no futuro – próximo ou distante. Ao que acham correto este tipo de comportamento, além de considerá-lo uma questão de inteligência (que o é de fato!).

A falta de disciplina gera o caos e a desordem em nossa vida. Não alcançamos nossos objetivos (grandes ou pequenos) e, entre vários motivos, um deles é por falta de disciplina. Que, por fim, nos gera uma maior frustração por não querer suportar uma pequena frustração.
Por falta de disciplina, o que poderia ser um “projeto de vida”, torna-se apenas um sonho. E, assim, por falta de disciplina, mantemos a nossa realização pessoal e as nossas conquistas apenas no nível do sonho ou da fantasia.

A prática da meditação nos ajuda a desenvolver a disciplina. Quando, por exemplo, nos propomos a ficar em silêncio, procurando nos relaxar e nos desligar de toda e qualquer requisição externa (para começar, por cinco minutos!), e o cumprimos fielmente. Este seria o primeiro passo no desenvolvimento da disciplina.
Outro exemplo do desenvolvimento da disciplina através da meditação: quando, pouco a pouco, com paciência conosco mesmos, conseguimos acalmar a nossa mente tagarela.

Compreendemos, então, que além da disciplina, também desenvolvemos a resiliência e a paciência.
Com a resiliência aprendemos a suportar as frustrações que a Vida se nos apresenta.
Com a paciência aprendemos, primeiramente, a ser pacientes conosco mesmos e com as nossas expectativas.
Enfim, descobrimos, com a prática da meditação, porque a resiliência e a paciência são os grandes salvos-condutos para viver a paz interior.


imagem: pixabay

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Meditação e Equilíbrio





Por Mariah Bressani

O Budismo nos fala sobre o “caminho do meio”.
Aristóteles falou sobre o “meio termo”.
E a Mitologia Grega, com o deus Apolo, pregou o “nada em demasia”.
Podemos entender que, na verdade, cada um a seu modo, todos estão falando da mesma coisa: o equilíbrio.
É busca contínua do ser humano: o equilíbrio emocional e psíquico para viver a vida e as suas relações da forma mais harmoniosa possível.

Eis o nosso treino: somos arrastados de um lado para o outro – de uma situação para outra – e apenas reagimos, pois, num mesmo dia, ora, estamos alegres, ora, tristes, ora, acreditamos que “tudo vai dar certo”, ora, acreditamos que “nada dará certo”, ora, nos sentimos no céu, ora, no inferno.
Vivemos assim em detrimento de nós mesmos!
Vivemos assim, então, em constante sobressalto emocional, oscilando mais que um pêndulo, mais que uma gangorra.

Já sabemos (pois, sentimos na pele) que todo extremo – desde a apatia até a euforia, por exemplo – causa algum tipo de desconforto.
Por isso, sejam nas filosofias ou nas religiões, elas pregam a busca do equilíbrio como forma de alcançar o bem viver.
Para que possamos sentir o gosto do bem estar emocional e psíquico, precisamos encontrar dentro de nós o nosso equilíbrio. Como um pendulo, que vai de um lado para o outro até encontrar seu ponto de equilíbrio e ali pára de oscilar.

A meditação é uma ferramenta extremamente eficaz para se conseguir desenvolver esta habilidade – o equilíbrio.
Aprendemos a aquietar a nossa mente tagarela com paciência, disciplina e boa vontade conosco mesmos.

Com a prática da meditação encontramos o nosso “pendulo” interior e descobrimos o que nos tira – e porque saímos – do nosso eixo.
Encontramos, assim, dentro de nós, o nosso “caminho do meio”... o nosso “meio termo”... o nosso ponto de equilíbrio...


imagem: pixabay

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Meditação e Concentração





Por Mariah Bressani

O exercício da meditação ajuda-nos a desenvolver a concentração.
Vivemos num mundo, onde o foco é fora de nós mesmos e, assim, nos habituamos à dispersão, por isso, desenvolver a concentração não é algo tão fácil.
Fácil é dispersar nossas energias, nossa inteligência e nossos talentos por conta da pressão e demandas sociais sobre o que temos de fazer ou “ser”.
Neste contexto, cometemos equívocos, tanto sobre quem realmente somos como sobre o que devemos fazer: graças, principalmente, à necessidade em satisfazer às exigências exteriores.

O hábito de dispersar a nossa energia, começa na nossa educação, com nossos pais (que também - automaticamente - repetem o que aprenderam): desde que nascemos, em grande das vezes, nos projetam as suas necessidades e as suas frustrações, que tanto devemos realizar e sanar, respectivamente.
Ao nos tornar adultos, nos envolvemos com pessoas que também tem necessidades e frustrações, que esperam de nós que as realizemos e as sanemos. E, o que é pior, nós próprios também nos colocamos neste jogo: esperamos que o “outro” realize e sane nossas necessidades e frustrações!
E, assim sendo, já nos perdemos de nos mesmos. Já não sabemos, verdadeiramente, que somos e quais são as nossas reais necessidades.
Tudo se torna tão misturado... um verdadeiro caos!

Neste sentido, a meditação nos salva.
Através da meditação, desenvolvemos a nossa capacidade de autoconcentração, que nos permite ver, sentir e ouvir às nossas reais necessidades.
Como primeiro passo no desenvolvimento da concentração, precisamos desenvolver a paciência conosco mesmos, pois no inicio de nosso aprendizado em meditar conseguimos tudo, menos nos concentrar.

No inicio do aprendizado, quando paramos por um momento “para meditar”, lembramos do telefonema que precisávamos dar, da conta que não podemos nos esquecer de pagar; lembramos de algo que alguém nos disse... a roupa que colocamos fez uma dobra que está nos incomodando... coça o olho, o pé, a perna... enfim... a dificuldade para “desligar” e relaxar parece tornar-se impossível a meditação.

Por incrível que pareça, tudo isto é “normal”, afinal, a nossa capacidade de dispersão foi bem treinada e está bastante desenvolvida.
Portanto, para desenvolver a concentração, precisamos começar tendo paciência conosco, pois, em nosso mundo ocidental não fomos treinados para a introspecção nem para a meditação.
Somos uma civilização extremamente racional e extrovertida.

Porém, a nossa saúde emocional, psíquica e física está na nossa capacidade em nos sentir, em nos ver e em nos ouvir, às nossas reais necessidades.
E, quando desenvolvemos a nossa capacidade de introversão e concentração, descobrimos que é, sim, possível nos ver, nos sentir e nos ouvir, verdadeiramente, ao nosso Eu interior, àquele Ser que encontra-se no mais profundo de nosso ser.


imagem: pixabay
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